A seguir à guerra civil dos anos 68-69 d. C., que motivou a proclamação
de Vespasiano como princeps do Império e abriu a dinastia dos
Flávios, o próprio Vespasiano outorgou uniuersae Hispaniae – como
diz Plínio (Nat., III, 30) – o ius Latii. Tal doação deve ser inserida no
âmbito das motivações integradoras e de reforma que o primeiro dos
Flávios tinha preparado para as três prouinciae hispânicas e que se
viria a manifestar na reestructuração do culto imperial, e no maior protagonismo
que toda a Hispania ia ter, desde então, no que diz respeito
à promoção das suas elites – nascidas da obtenção da ciuitas Romana
ligada ao Latium – aos ordines superiores. A esta doação, e como consecuência
directa, seguir-se-ia a promoção das antigas ciuitates stipendiariae
para municipia Flauia, dotadas de leis municipais e de
instituições à romana. O presente artigo estuda a incidência que estas
alterações – que preenchem tudo o governo dos principes Flávios (69-
-96 d. C.) – tiveram na prouincia Lusitania apresentando e analisando
toda a documentação – principalmente epigráfica – que está hoje ao
dispor do historiador para uma melhor compreensão deste período da
História Antiga Peninsular.