Os autores, baseando-se nos resultados dos trabalhos que efectuaram
no âmbito de projecto sobre a exploração arqueológica do Baixo Sado,
identificaram, para esta região, duas grandes fases no processo de
produção de preparados piscícolas (e de produção anfórica) durante
a época romana, periodização que se pode estender a outras áreas do
Sudoeste peninsular, designadamente ao Alentejo Litoral (Sines-Ilha
do Pessegueiro). Com efeito, da época claudiana ao final do século
II, assiste-se a fase de desenvolvimento económico. Este período
interrompe-se bruscamente na passagem para o século seguinte; somente
por volta de meados do século III se inicia nova fase de prosperidade,
que conhece o seu apogeu no século IV, decai na primeira metade do
V e termina por meados deste último século.
Tem sido difícil definir as causas da oscilação económica negativa
ocorrida na transição para o século III. Os autores defendem a hipótese
de as destruições registadas e datadas do período considerado terem
resultado de um sismo, acompanhado de tsunami, com epicentro no
Oceano Atlântico, que teria atingido o litoral do Sudoeste da Península
Ibérica.