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Resumo
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Apesar do Período Almóada em Alcácer, debaixo da jurisdição dos
Banū Wazīr, ter durado entre 1191 e 1217, em contraste com uma
primeira longa fase de séculos de domínio Islâmico, [entre 715 e 1160],
estes 26 anos representam um manancial importante de documentação
arqueológica e textual sem igual em relação aos períodos ulteriores,
permitindo deste modo uma abordagem privilegiada sobre as ultimas
décadas desta madīna Islâmica que se debruça nas margens do rio Sado.
De fato os grafitos de cronologia Almóada identificados numa das torres
da cintura fortificada da madīna Qaṣr al-Fatḥ insere-se neste âmbito
privilegiado de análise, onde de uma maneira única podemos antever
um pouco alguns aspectos íntimos da sua população, nas vésperas da
conquista Portuguesa de 1217.
Este conjunto de grafitos, cuja extensão e motivos que identificamos,
reputamos no al-Ġarb al-Andalus de único e coloca este painel numa
posição impar e sem paralelo no al-Andalus. De modo a enquadrar o
leitor da especificidade Histórica de Alcácer do Sal, estruturamos esta
primeira abordagem do seguinte modo: – Começamos por tecemos uma
breve introdução sobre a longa diacronia islâmica em al-Qaṣr até à
conquista Almóada, utilizando para tal as fontes textuais medievais de
autores muçulmanos e o contributo recente da Arqueologia Islâmica.
A segunda parte centra-se na apresentação, análise e comentário do
corpo de grafitos identificado numa das torres do castelo. Por fim, uma
breve análise a uma problemática levantada por Ibn Ḥawqal no século
X que tem passado desapercebida nos estudos sobre o Ġarb Andalusī,
quando este denomina Alcácer como Qaṣr Banū Wardās ou Waddās,
mas não Qaṣr Abī Dānis como seria de esperar.
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